74 anosJúlio nasceu em Varena (Trento) no dia 17 de julho de 1897 e entrou como aspirante em Gemona, no dia 17 de outubro de 1909. Noviço a 02 de agosto de 1914, professo perpétuo a 2 de agosto de 1918, sacerdote a 10 de julho de 1921 em Roma, onde estavam os estudantes de teologia logo após a primeira guerra mundial.
Após um breve período de ministério em Roma e Verona, foi mandado para o Brasil, onde chegou aos 19.03.1923, permanecendo 10 anos na terra de Santa Cruz.
Exerceu o ministério em Rio Claro - SP, Campinas - SP, Castro - PR, São Caetano do Sul - SP , Ituiutaba - MG, com admirável espírito de sacrifício.
Com sinais que impediam de exercer convenientemente o ministério pastoral, em 1933 voltou para a Itália e morou nas comunidades de Gemona, Affi, Santa Croce (Roma), Cadellara e, desde 1958, na casa de formação de São Leonardo, em Verona, onde morreu, improvisamente, nas primeiras horas do dia 08 de dezembro de 1971, provavelmente de uma embolia cerebral.
Pe. Júlio, de porte avantajado e volumoso, tinha pouco de gigante na maneira de tratar os seus semelhantes. Era acolhedor, de falar pausado e brando, em geral compenetrado. Era também prestativo e cordial. Sua simplicidade e presteza em atender aos chamados de seus superiores causava admiração em todos. Era dotado de índole calma, dócil, paciente, o que muito o ajudou a suportar as tribulações de sua doença. Dispunha-se a atender a qualquer chamado e oferecer-se em qualquer necessidade. Passava muito tempo na capela rezando as horas do breviário e outras práticas de piedade. Na pobreza, na obediéncia, na vida comum, comportava-se com fidelidade.
Sua vida foi profundamente marcada por um desequilíbrio de espírito. Atravessava períodos de euforia, que muito o entrosavam com os confrades. A estes períodos sucediam outros de invejável serenidade, durante os quais recolhia-se no silêncio e na oracão, que interrompia unicamente por motivo de conveniência, de caridade e pelo desejo de trabalhar.
Nos últimos anos que passou no Brasil, acentuou-se nele a depressão psíquica, que se revelava nos gestos que traduziam como infantilismo, expandindo-se por vezes em atitudes pueris.Esta situação não permitiu que ele pudesse exercer com toda sua capacidade, de forma contínua, qualquer tipo de ministério.
Ria com gosto, quando em íntimas conversações falava de suas peripécias. Não se prestava a críticas descaridosas e comentários sobre a vida de outrem. No confessionário, que era seu campo de trabalho ministerial de predileção, era apreciado como abalisado orientador, paternal e compreensivo. Em São Pedro Di Lavagno, onde por muitos anos foi confessor, o povo o chamava de "o vagão da misericórdia de Deus." Muitos recorriam a ele admirando-se de sua paciência e bondade inalteráveis.
Não ocupou cargos de comando, devido à sua proverbial humildade. Vindo a Ituiutaba em 1935, como integrante da primeira "troupe" de estigmatinos, também não se projetou por grandes iniciativas, mas foi sempre pontual em suas funções de vigário-cooperador. Incansável no desempenho de suas tarefas, enfrentava, audaz, qualquer tipo de ministério.
Na casa de São Leonardo Pe. Júlio foi lembrado sobretudo por sua desvelada caridade para com os confrades doentes e anciãos. Considerava seu privilégio assisti-los, servi-los, fazer-lhes companhia mesmo por dias inteiros, com delicadeza quase maternal.
Não sendo um monumento de saúde, nunca, porém, manifestou queixas e menos ainda pretensões de tratamentos especiais.


